Minhas dicas de Mendoza

Quer fazer uma viagem eno-gastronômica econômica? Vá para Mendoza! Para chegar por via aérea há basicamente duas opções: de Buenos Aires (Aerolineas Argentinas) ou de Santiago (LAN). Quem mora em Floripa pode optar pelo voo direto da Gol até Buenos Aires e depois chegar até Mendoza pela Aerolineas. Em tempo: no primeiro semestre de 2015, a Gol inaugurou o voo direto  Guarulhos – Mendoza (ida às quartas e volta aos sábados).

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Talvez o mais importante nessa viagem seja a logística das visitas às vinícolas. É essencial reservar absolutamente todas as visitas e almoços com antecedência. Para isso, você pode contratar uma empresa local (como a Malbec Symphony, Ampora Wine Tours, Tasting Mendoza, Trout and Wine, Aymará etc.) ou optar por contratar um motorista/concierge particular. Foi o que fizemos. Por recomendação do Marcelo (o relato da viagem dele está aqui), contratamos o Sr. Luis Adan Brendel que fez todo o serviço de traslados e reservas, com um custo bem inferior ao das empresas locais! Os contatos do Sr. Luis: luis_brendel@hotmail.com e +54 261 201 5423.

Aí começam as dúvidas… Quais passeios fazer? Quantos dias são necessários?

Recomendo pelo menos um tour ao Vale de Uco (que fica a cerca de 1h30 do centro), um tour ao Vale Central (que fica a 40 minutos do centro) e o passeio “Alto Montaña”. Tanto no Vale de Uco quanto no Vale Central, é interessante escolher duas bodegas para visitação e uma terceira para um almoço harmonizado.

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No Vale de Uco optamos por conhecer a Clos de los Siete, uma associação de 5 bodegas (Diamandes, Monteviejo, Flecha de los Andes, Cuvelier los Andes e Michel Rollan) sob a batuta do renomado enólogo francês Michel Rollan. Lá conhecemos a Diamandes, incrível projeto desenvolvido pelo escritório Bormida y Yanzon, e a Monteviejo, onde aconteceu a degustação de 3 vinhos (120 pesos/pessoa).

Além de produzir e comercializar o rótulo Clos de los Siete, os “Siete” produzem excelentes vinhos próprios. A Monteviejo, por exemplo, produz o Linda Flor La Violeta e o Linda Flor Malbec, que recebeu o Troféu Vale de Uco na avaliação de 2014 da Wines of Argentina. A Cuvelier los Andes produz o potente Gran Vin. Michel Rollan também teu seu rótulo, o Val de Flor.

20140319-190852.jpg A simpática recepção aos visitantes da Clos de los Siete

20140319-191154.jpg Os vinhedos dos Siete

20140319-201145.jpg O Linda Flor premiado em 2014

O almoço do dia no Vale de Uco foi o especialíssimo harmonizado na Andeluna (380 pesos/pessoa) com 4 vinhos, incluindo o top vinho da bodega – Andeluna Pasionado 4 Cepas.

20140319-184812.jpg Mesa posta na Andeluna

20140319-200909.jpg O Pasionado

Depois do almoço fomos até à Salentein, também projetada pelos arquitetos Bormida y Yanzon – que por sinal assinam boa parte dos projetos das vinícolas em Mendoza. Lá a visita é mais “comercial” e são degustados 3 vinhos (60 pesos/pessoa). Os vinhos da linha premium da bodega são o Primus e o Numina, que infelizmente não estão incluídos na degustação.

20140319-191405.jpg A majestosa Salentein

Neste dia também conhecemos o The Vines Resort & Spa, cuja proposta é perfeita para quem quer ter seu próprio vinhedo. Há a opção de adquirir um vinhedo, uma villa ou ambos. A villa, que conta com serviço completo de hotel, fica num esquema de pool (timeshare) e o proprietário pode usá-la 6 semanas por ano. É no The Vines que está instalado o mais recente restaurante do famoso chef Francis Mallman: Siete Fuegos, especializado em churrasco argentino.

20140319-184605.jpg Área de convívio no The Vines

Antes de decidir quais vinícolas visitar, convém pesquisar o que cada uma oferece (visita/degustação/almoço). As principais bodegas do Vale de Uco: Atamisque, La Azul, Andeluna, Gimenez Rilli, Diamandes, Monteviejo, Flecha de los Andes, Cuvelier los Andes, Clos de los Siete, Salentein, O. Fournier. O restaurante Urban, que fica na bodega O. Fournier, está entre os melhores restaurantes de vinícola do mundo.

No dia do tour ao Vale Central, fomos até a Achaval Ferrer, uma vinícola pequena, que produz uma trilogia de vinhos muito especiais: Bella Vista, Altamira e Mirador. A visitação segue um clima bem intimista e a degustação conta com 3 vinhos (100 pesos/pessoa). Neste dia também visitamos a Belasco de Baquedano, que vale a visita pela interessante Sala de Aromas (só há 4 delas no mundo) e tivemos nosso almoço harmonizado (450 pesos/pessoa) na bodega Ruca Malen. O maravilhoso almoço com vista para os vinhedos contou com a degustação de 5 vinhos, incluindo o ícone Kinien.

20140319-191515.jpg Os vinhedos da Ruca Malen

20140319-184442.jpg Mesa posta na bodega Ruca Malen

20140319-200503.jpg Kinien significa “o único”, em Mapuche

No Vale Central estão inúmeras vinícolas, dentre elas: Lagarde, Doña Paula, Navarro Correas, Séptima, Tapiz, Terrazas de Los Andes, Nieto Senetiner, Escorihuela Gascón, La Rural, Decero, Trapiche, Luigi Bosca, Catena Zapata, Pulenta Estate, Bressia, Belasco de Baquedano, Viña Cobos, Ruca Malén, Finca Flichman, Norton, Achával Ferrer, Carmelo Patti , Domaine St. Diego, Familia Zuccardi, Altavista. O restaurante 1884, assinado por Francis Mallman e que fica na bodega Escorihuela Gascón, também está entre os melhores restaurantes de vinícola do mundo.

Um passeio que não dá pra deixar de fora da lista é o tour da montanha. Para chegar lá são mais ou menos 2h30 de paisagens áridas, montanhas e neve. Os pontos de interesse ao longo do passeio são o dique Potrerillos, que fornece água potável para a cidade de Mendoza, a Puente del Inca, uma interessante formação natural de componentes biominerais, e o trekking de 45 minutos dentro do parque provincial do Aconcagua. Uma dica que recebemos foi não almoçar nesse passeio, pois os restaurantes da região não são dos melhores. Vale a pena levar um lanche ou até mesmo fazer um piquenique no parque.

20140319-190022.jpg O dique pela manhã

20140319-190056.jpg E à tarde, com outras cores!

20140319-190135.jpg La Puente del Inca

Aqueles que quiserem conhecer intensamente essa região, há uma maratona (de 25 e 50km) que acontece sempre ao final de novembro de cada ano (em 2014 acontecerá dia 29 de novembro), cuja largada é na Puente del Inca.

20140319-190328.jpg O trekking no parque

20140319-190439.jpg A paisagem é de tirar o fôlego!

20140319-200338.jpgLindo!

20140319-190521.jpg O mais próximo que chegamos dele…

Quanto à hospedagem, ficamos no Hyatt Park, uma linda construção bem no centro da cidade de Mendoza, na frente da praça principal. Também recebemos excelentes recomendações sobre o Diplomatic, também no centro. Uma opção que pareceu interessante e mais econômica foi Villaggio Hotel Boutique.

A cidade tem ótimos restaurantes e recomendo que se faça reserva, sob pena de dar de cara na porta. Conhecemos e gostamos: Ocho Cepas, 1884 Francis Mallman (premiadíssimo e situado dentro da bodega Escorihuela Gascon), Ituzaingo (exclusivo restaurante com menu degustação a portas fechadas), Anna Bistro, Azafrán (que tem uma adega sensacional) e Sushi Club. Há vários restaurantes “pega-turista” na Calle Sarmiento – não caia nessa cilada. O único da rua que vale a pena é o Azafrán!

E não posso deixar de mencionar as dicas gastronômicas mendocinas do João Clemente, do ótimo blog Falando de Vinhos.
20140319-191030.jpg As mesas do Ituzaingo, dispostas no jardim do proprietário, Gonzalo

Se quiser fazer uma degustação de vinhos, vá à The Vines of Mendoza Tasting Room (Belgrano 1194, +54 261 438 1031). Alguns vinhos mendocinos que devem ser degustados: Cuvelier los Andes Gran Vin, Guayquil el Eligido – Huarpe Wines, AVE Memento, Pura Sangre Domaine St Diego, Gran Corte Pulenta Cabernet Franc, Reserva Bodega La Azul. Leve a lista completa dos premiados pela Wines of Argentina em 2013 e 2014.

Para aprender um pouco sobre o processo de fabricação de azeites de oliva e degustá-los: Verolio (Sarmiento 720, +54 261 425 5600).

Para os postres, nada como um autêntico helado argentino. Duas ótimas opções: Perin, com seu super dulce de leche e a Ferruccio Soppelsa, com seu sorvete de baunilha com malbec! Ambas sorveterias ficam na esquina das Calles Sarmiento e Belgrano.

Optamos por comprar nossos vinhos diretamente nas vinícolas, mas vimos 3 opções de lojas no centro: Winery (na esquina das Calles Chile e Montevideo), Sol y Vino (onde compramos a caixa para transporte, na Calle Sarmiento) e uma terceira loja, localizada bem no início do Paseo Sarmiento (pequena, mas com ótimas opções de rótulos).

Por último, mas não menos importante: (i) vale a pena levar dólares em espécie (em função da restrição à compra de moeda estrangeira pelos argentinos, o câmbio está muito favorável a nós), (ii) a oferta de caixas automáticos com bandeira Visa/Mastercard não é grande e (iii) há alguns estabelecimentos que não aceitam os cartões de crédito com chip.

Boa viagem e ótimos vinhos!

Crédito das imagens: bemsortido

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8 comentários sobre “Minhas dicas de Mendoza

  1. Fabiola, que legal essa viagem Né. Já havia comentado o quanto quero voltar lá, mas com teu relato e dicas to afim de voltar logo. rss. E o Luis é muito bacana mesmo, além de dirigir ele te dá boas dicas. Mendoza é incrivel, uma região que oferece tanta diversidade de paisagens, gastronomia e vivências.
    Dá vontade de ir em todas as estações. bjs

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  2. Bila, agora que li com calma o post. Sabe, na Champagne, na Alsácia e na Borgonha não se tem estas possibilidades, pelo menos eu não tive acesso (mesmo pesquisando bastante). Talvez em Bordeaux tenha, pela grandeza das propriedades, mas realmente senti falta dos restaurantes anexos às vinícolas.
    Espero que em Portugal tenha, rs. Se não, vou TER QUE ir a Mendoza.
    Bj

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    • Carol, pelo jeito a França está apenas preocupada em fazer grandes vinhos… Em Mendoza o enoturismo é levado muito a sério – acredito que foram os americanos que inauguraram esse profissionalismo por lá. Creio que os Vales do Napa e de Sonoma devem ter uma estrutura bem montada para receber os turistas!
      Aproveitando o ensejo: estás devendo o relato da viagem aos vinhedos franceses… Beijo!

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