O viajante educado

Penso nesse tema há muito tempo e relutei em publicar esse post, mas minhas últimas viagens (e olha que não foram poucas, só em 2013 foram mais de quarenta!) quase me obrigam a fazer um registro sobre a deselegância dos passageiros que tenho encontrado por aí. Como é meu hábito procurar a visão positiva de tudo, resolvi contar como é o viajante educado. Saca só como esse cara é legal:

1. O viajante educado cumpre as regras de pouso e decolagem, pois sabe que estas são uma questão de segurança coletiva. Ele desliga seus apetrechos eletrônicos, recolhe a mesinha e permanece com o encosto do assento na posição vertical.

2. O viajante educado jamais fica em pé no corredor, pois sabe que aquele não é lugar de espera, bate-papo ou formação de fila. Por questões de segurança, sua e dos demais passageiros, ele sabe que o corredor nunca deve estar obstruído.

3. O viajante educado tem ciência de que há outro viajante educado sentado à frente de sua poltrona. Ele cuida para que seus joelhos não incomodem seu vizinho e jamais se apoia no encosto à sua frente para levantar ou sentar em sua poltrona.

4. O viajante educado vai ao toalete e não deixa rastros – de nenhuma espécie. Ele tenta ser praticamente imperceptível aos demais passageiros.

5. O viajante educado é muito silencioso: jamais ronca, fala alto ou produz sons irritantes com seus apetrechos eletrônicos. Ele sabe que tudo isso atrapalha muito os demais passageiros.

6. O viajante educado sabe que sua mochila ocupa espaço (muito espaço) e está permanentemente atento para que esta não esbarre nos demais passageiros.

7. O viajante educado cuida do lixo que produz, dentro do avião e também na sala de embarque.

8. Enfim, viajantes educados tem filhos viajantes educados. Ele sabe que dar limites e ensinar as regras básicas de convivência desde cedo é a única forma de propagar a elegância e a educação dos viajantes.

Farta e agradável bibliografia sobre o tema aqui.

Pra finalizar, um trecho do livro Confidencial, de Costanza Pascolato:

“Frequentemente confundida com estilo, elegância é, na definição literal, o requinte que distingue a postura correta, o desembaraço amável, a graça com ar de aparente indiferença. Elegância é apuro do porte e das maneiras. Tem muito mais a ver com aprimoramento pessoal do que com aparência. Por isso depende de aprendizado contínuo, a vida inteira. Na prática, elegância consiste, sobretudo, em fazer evoluir sua cota pessoal de engenho e inventividade. É uma forma de colocar-se em harmonia com o universo, se superar, evoluir, viver alegrias e prazeres relacionados à criação. Ser elegante, em última análise, é uma questão existencial, de como você pensa a sua vida, como se coloca no mundo.”

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7 comentários sobre “O viajante educado

  1. Tatiana de Bem Silva Slongo disse:

    Ah se todos fossem assim…. delícia de viagem! Faltou dizer que o viajante educado dá bom dia, boa tarde ou boa noite para seus vizinhos de poltrona, principalmente ao do seu lado… e não faz cara feia caso seus vizinhos precisem organizar as bagagens de mão no bagageiro superior para colocar as de quem entrou por último!

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  2. Carolina Sena - Carol disse:

    E o viajante educado, como disse a Tati, “organiza” o bagageiro superior, não sai amassando os pertences dos outros porque a sua bagagem “tem que” caber.

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  3. Olá! (desculpe não te chamar pelo nome, não encontrei o perfil…) Cheguei aqui através de outro blog, acho que o Roteiros de Viagem. Estou em busca de indicações de vinícolas adequadas para visitar com crianças. Pretendemos voltar a Mendoza ainda neste ano. Parei aqui para falar um oi e dizer que super concordo que somente viajantes educados poderão gerar filhotes que sigam as regras básicas de convivência social e respeito mútuo. Muito fofo este teu post! Bj da Adriana & Cia do Blog Diário de Viagem

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    • Oi, Adriana!
      Quando estivemos em Mendoza, um casal de amigos também estava por lá – e com um bebê de 7 meses, o Rafael – acredita? Eles preferiram alugar um carro, em vez de contratar um motorista para ciceroneá-los, assim tiveram mais independência com relação aos horários da rotina do Rafael. Como a maioria das vinícolas fica relativamente perto do centro de Mendoza, a viagem não chega a ser extenuante para os pequenos – as visitações são rápidas, nada passa de meia hora. Caso sejam crianças habituadas às “atividades sociais”, como jantares e almoços, acredito que mesmo os almoços harmonizados (que na minha opinião são o ponto alto dessa trip) não chegam a ser maçantes para as crianças. Inclusive encontramos pequenos durante todas as visitas que fizemos! Apenas não recomendaria o passeio da montanha – e ainda a depender da idade dos rebentos…
      Seja sempre muito bem vinda aqui, adorei a visita :) Fabiola.

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