Minhas dicas do Alentejo

Posts relacionados:

Organizando uma viagem ao Algarve e Alentejo.

Minhas dicas do Algarve.

Minhas dicas de Lisboa.

O Alentejo corresponde a cerca de 1/3 do território de Portugal, fica logo “acima” do Algarve e faz extensa divisa com a Espanha. É o maior produtor de vinhos do país e uma região muito conhecida por sua rica gastronomia. Além do interior, que foi o foco de nossa aventura, o Alentejo também tem uma vasta costa.

Quando ir ao Alentejo? O Alentejo tem seu turismo bem distribuído ao longo do ano, o clima do interior é desértico e a paisagem é tomada de olivais, azinheiras e videiras – salpicado de vilinhas de interior. Nós fomos no fim de agosto, época em que as temperaturas são bastante altas durante o dia (30-35 graus), mas as noites são muito agradáveis (20-25 graus). Em termos climáticos, o Alentejo está para Portugal assim como o sertão da Bahia está para o Brasil. Pra eles, o Alentejo é um forno!

Onde ficar no Alentejo? Escolhemos Évora como base, a maior cidade da região e relativamente central às demais cidades de interesse. Considerando-se a extensão territorial do Alentejo, opções de hospedagem e restaurantes, achamos que Évora é certamente a melhor opção para usar como base. O hotel que escolhemos foi o M’AR de Ar Muralhas, a 5 minutos de caminhada do centrinho de Évora: quarto amplo, muito limpo, banheiro excelente, café da manhã muito bom e área da piscina super bacana.

Quantos dias ficar no Alentejo? Ficamos 3 noites e achamos bem adequado, mas uma noite a mais teria permitido uma escapadela até a Espanha.

Como se locomover no Alentejo? Alugar um carro é mais que obrigatório. Nosso roteiro contou com 3 noites no Algarve, seguidas de 3 noites no Alentejo e, por fim, Lisboa. Para ter uma noção, rodamos 1500 km em nossa aventura e gastamos cerca de 125 euros em diesel. Como sempre comento, ao invés de alugar um GPS, prefiro adquirir um chip de celular (comprei o da MEO, por 10 euros) e carregá-lo com algum plano de internet (7 a 15 euros). Dessa forma, o Google Maps não deixa você em apuros na estrada e, de quebra, tem o amigo Google pra ajudar a pesquisar tudo na viagem – ainda mais importante em se tratando de interior.

Quais os programas imperdíveis no Alentejo?

1. Desvendar as muitas vilas e cidades, pelo Alto Alentejo, Alentejo Central e Baixo Alentejo. Évora é um must, mas ficamos ainda mais encantados com duas outras pequenas vilas: Monsaraz e Marvão. Monsaraz é uma cidade amuralhada, com uma bela vista para a barragem do Alqueva, cheia de casinhas brancas e que ainda mantém intactas as estradas construídas há muitos séculos atrás. A dica é alocar a visita a Monsaraz junto com a visita à Herdade do Esporão. Marvão é também uma cidade amuralhada, cravada no alto de um penhasco, um pouco maior que Monsaraz, que conta inclusive com algumas opções de restaurantes (fomos no Varanda do Alentejo). Tem um castelo belíssimo. Alocamos a visita a Marvão junto com o passeio de balão (que fizemos em Fronteiras). Além dessas cidades, há também Beja, Arraiolos, Reguengos de Monsaraz, Estremoz, Castelo de Vide, Elvas e muitas outras!

IMG_3734.JPG Pelas ruas de Évora

IMG_3737.JPG Uma das muitas igrejas de Évora

IMG_3738.JPG O melhor lugar pra ver o por do sol em Évora, perto do Templo de Diana

IMG_3730.JPG O Templo de Diana

IMG_3694.JPG Pelas ruelas de Monsaraz

IMG_3709.JPG Monsaraz encantadora

IMG_3698.JPG A bela vista do castelo de Marvão

IMG_3699.JPG Marvão e suas curvas

IMG_3708.JPG Mais de Marvão

2. Não dá pra pensar no Alentejo sem considerar a sua enogastronomia. Embora as vinícolas sejam muitas (a lista completa aqui), infelizmente nem todas tem o enoturismo (restaurante, hotel, visitas guiadas) bem desenvolvido. Nós visitamos:

Herdade dos Grous: situa-se em Beja, no caminho entre o Algarve e Évora. Tem um ótimo restaurante e um hotel fazenda belíssimo espalhado pela extensa propriedade. Almoçamos, visitamos a vinícola e depois fizemos uma prova de vinhos. Destaques: tiborna (pão alentejano torrado com azeite de oliva e flor de sal), vinho Herdade dos Grous 23 Barricas e a generosa tábua mista de doces alentejanos.
Reservas: herdadedosgrous@herdadedosgrous.pt

IMG_3692.JPG As videiras da Herdade dos Grous

IMG_3691.JPG A esplanada do restaurante

IMG_3720.JPG A tiborna, acompanhada do 23 Barricas

Herdade do Peso: situa-se um pouco acima de Beja, entre Vidigueira e Moura. A herdade ainda não está aberta ao público e fomos atendidos graças à gentileza e contatos do Pablo Otero (da Zahil Florianópolis) com os enólogos da vinícola – que faz parte do importante conglomerado Sogrape, maior produtor de vinhos em Portugal. Fizemos uma prova de 5 vinhos, com destaque para o Trinca Bolotas, lançamento da vinícola que faz menção ao emblemático símbolo do Alentejo, o porco preto, e é composto por 3 castas genuinamente alentejanas: Alicante Bouschet, Touriga Nacional e Aragonez.

IMG_3693.JPG Os tintos da nossa prova na Herdade do Peso

Herdade do Esporão: situa-se em Reguengos de Monsaraz. A vinícola dispõe de uma estrutura de enoturismo bem desenvolvida e recebe muitos visitantes. Após nosso almoço no excelente restaurante da vinícola, fizemos a visita guiada e uma prova de 2 vinhos (que achei meio pobrinha). Destaque: sobremesa desafio de chocolates, vinhos e azeites.
Reservas: reservas@esporao.com

IMG_3707.JPG Realmente desafiador ;)

IMG_3732.JPG A esplanada da Herdade do Esporão

Cartuxa: situa-se em Évora. A Cartuxa pertence à Fundação Eugênio de Almeida e dispõe de uma excelente estrutura para receber seus visitantes – uma pena que o restaurante fique no centro de Évora, enquanto a adega fica fora das muralhas da cidade. Fizemos uma visita guiada, que inclui um interessante corredor de aromas, e ao final degustamos 3 azeites e 3 vinhos. Destaque: vinho Pera Manca branco.
Reservas: enoturismo.cartuxa@fea.pt

Além dessas, também pesquisei visitações na Herdade da Malhadinha Nova, que tem vinícola, hotel e restaurante.

3. A gastronomia alentejana merece um capítulo à parte. Com o clima desértico, os alentejanos aprenderam a aproveitar ao máximo o que os parcos recursos naturais lhe ofereciam. Uma das iguarias locais é o porco preto. Também chamado de porco ibérico, é nativo da região alentejana e também da região da Estremadura, no sudoeste da Espanha. Nestes lugares há grande quantidade de azinheiras, árvores que produzem as bolotas, alimento preferido da raça. Nos meses de novembro e dezembro, as bolotas amadurecem e caem no chão. Essa espécie de porco é a única que desenvolveu a habilidade de retirar a casca amarga da castanha e, assim, come só a polpa, responsável pelo sabor inconfundível do famoso presunto de bolota, o pata negra. As azinheiras são parentes do carvalho, de onde se tira a madeira para a fabricação de tonéis de vinho, e do sobreiro, espécie em que a casca (cortiça) é usada na fabricação de rolhas. Enfim, depois dessa explicação toda, resta saber que o porco preto é uma delícia e servido inclusive acompanhado de ameijoas (marisco parecido com o vôngole – berbigão pros manezinhos de Floripa como eu). Outras iguarias típicas: pão alentejano (e a tiborna), aspargos selvagens, cogumelos, favas (espécie de feijão), cação, borrego (ovelha), coelho, lebre, cozidos, gaspachos e muitas sopas!

IMG_3714.JPG Encontra-se sobreiros na beira da estrada!

4. O ponto alto (literalmente) da viagem foi o voo de balão. Voamos na região de Fronteiras com o Sr. Anibal Soares, proprietário da escola de balonismo Publibalão. O Sr. Anibal, com sua vasta experiência em voos pelo mundo, há 18 anos organiza um Festival de Balonismo, onde cerca de 50 balões são lançados aos céus do Alentejo no mês de novembro e o melhor: os passageiros não pagam nada pelo voo! Cabe o registro de que a Publibalão é uma das poucas empresas que possui um cesto com acessibilidade para cadeirantes. De nossa parte, voar de balão foi uma experiência inesquecível. Voamos num balão pequeno, para 4 pessoas, e a aventura incluiu a montagem e desmontagem do balão (custo: 150 euros por pessoa). Ficamos cerca de 1 hora sobrevoando suavemente os campos alentejanos, avistando as belas paisagens cobertas de azinheiras, videiras, olivais, lebres, coelhos, e muitos outros animais.
Reservas: publibalao@sapo.pt

Um pouquinho do que foi levitar pelo Alentejo:

IMG_3695.JPG

IMG_3704.JPG

IMG_3703.JPG

IMG_3701.JPG

IMG_3697.JPG

IMG_3696.JPG

IMG_3718.JPG Ao final, o tradicional brinde à viagem

5. O litoral alentejano também é belíssimo, são mais de 100km de costa em praias excelentes para o surf. Dicas aqui e aqui.

6. Os campos de girassóis não são exclusividade da Toscana! Pena que o ano de 2014 não foi muito favorável climaticamente aos campos de girassóis alentejanos – vimos alguns na estrada (queimadinhos, coitados), em especial na região de Beja. Fique atento enquanto roda pela estrada :)

Restaurantes? Nosso preferido em Évora foi a Tasquinha do Oliveira, onde convém fazer reserva (266 744 841) pois são apenas 7 mesas. O atendimento é feito pelo próprio Manuel Oliveira e a cozinha é comandada por sua mulher, Carolina – o resultado é um local muito pitoresco, com um clima caseiro, regado a muita e variada típica gastronomia alentejana. Também fomos ao Fialho, considerado o mais tradicional de Évora, excelente! Um pouco mais moderno, mas com ótimas opções regionais no cardápio, é o Restaurante Cartuxa. Outros restaurantes em Évora que pesquisei, mas não fomos: Mar de Aqueduto, ¼ pras 9 e Dom Joaquim. Há boas recomendações também sobre o quase centenário Café Arcada. Em Montemor-o-Novo fica o estrelado restaurante L’AND, por Miguel Laffan, anexo ao Hotel L’and Vineyards.

Mais algumas dicas aqui, no site oficial do Alentejo.

E aqui um vídeo encantador sobre tudo o que o Alentejo tem para você ser feliz!

Beijinhos (bem Tuga)!

Créditos das imagens: bemsortido

Anúncios

7 comentários sobre “Minhas dicas do Alentejo

    • Silvio, obrigada! Não tivemos a mesma sorte que vocês, que ficaram 30 dias pelo Algarve e Alentejo, por isso precisei planejar nos mínimos detalhes ;-)
      E sobre o balão, fica a dica para sua próxima passagem por lá! Imperdível!!!

      Curtir

  1. Carol disse:

    Bom, não tem como adicionar muita coisa depois dessa postagem cheia de dicas maravilhosas!
    O que eu posso complementar:
    1) Estremoz não tem muita coisa a visitar a não ser a Praça de Touros e a Torre de mármore. A torre hoje é privada e aos pés dela funciona uma pousada. Vale a pena ir até lá para almoçar ou jantar na Mercearia Gadanha, um mix de mercearia/empório/loja de vinhos/restaurante. Comida de excelente qualidade, eu provei o polvo e o Caio bochechas de porco preto.
    2) O hotel M’Ar de Ar Aqueduto também é legal. Espaçoso, banheiro ótimo, café da manhã excelente e é barato (reservamos pelo Booking a 50 euros a diária). A localização é maravilhosa, saindo na rua imediatamente à frente, em 500 metros chega-se à Praça do Giraldo.
    Bjs
    Carol

    Curtir

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s